Política

Em Maceió, Lula celebra dois milhões de moradias entregues

Presidente celebrou imóveis e ambulâncias ao lado do ministro Renan Filho, Paulo Dantas e do prefeito JHC

Por Emanuelle Vanderlei - Tribuna Independente 24/01/2026 08h35
Em Maceió, Lula celebra dois milhões de moradias entregues
Ao lado de aliados, presidente Lula comemorou entrega simbólica de 2 milhões de unidades habitacionais do ‘Minha Casa, Minha Vida’, ao outorgar chaves de 1.337 apartamentos em Maceió - Foto: Sandro Lima

Maceió parou na sexta-feira (23/1) para acompanhar a visita do presidente Lula (PT) durante a entrega de 1.337 moradias do programa ‘Minha Casa, Minha Vida’, de sete ambulâncias para a renovação de frota do Samu aos municípios alagoanos, e 17 Unidades Odontológicas Móveis (UOMs). As unidades estão localizadas no bairro da Santa Amélia, nos empreendimentos Dr. Pedro Teixeira Duarte I e II, Parque da Lagoa e Diana Simon Duarte.

A visita foi institucional, mas cumpriu bem o papel de movimentar o debate político eleitoral para Alagoas esse ano. Se não foi possível obter todas as respostas sobre as alianças e candidaturas, deu para fazer uma breve leitura dos horizontes de alguns personagens chave com base nas presenças no palco ao lado do petista, e também de alguns discursos.

A principal ausência sentida, foi do senador Renan Calheiros (MDB). Aliado histórico de Lula, ele não pôde comparecer porque, segundo Renan Filho (MDB), tinha outros compromissos. Mas enviou recado de que “em 2026 estará onde sempre esteve, ao lado do presidente Lula”.

O deputado federal Arthur Lira (PP), que em 2024 foi vaiado durante uma solenidade parecida com a de hoje ao lado de Lula, também não se fez presente. Ele aparece na foto da entrega das ambulâncias, mas não acompanhou a comitiva que subiu no palco para as entregas das moradias.

Mas não faltou autoridade para disputar a foto ao lado do presidente e o destaque na cerimônia.
Se havia dúvidas sobre a participação e o envolvimento do JHC (PL), não há mais. Ele ficou ao lado esquerdo de Lula no centro do palco, fez um discurso claro e posicionado com elogios ao petista.

Entre tantas outras coisas, ele reconheceu que seu trabalho em Maceió tem contado muito com a sensibilidade do Governo Federal.

“O povo saberá reconhecer os seus esforços”.

JHC foi além e demonstrou compromisso, o que pode gerar incômodo em sua base bolsonarista.
“Na política temos que apontar menos os dedos e estender mais as mãos, e isso é o que eu estou fazendo com o senhor hoje. Um pacto social, um pacto por Maceió, um pacto por alagoas, um pacto pelo povo do nosso Brasil”.

Do outro lado de Lula estava o governador Paulo Dantas, que não apenas renovou o compromisso com o presidente Lula, como declarou que sempre votou nele. Já em clima de campanha, ele reforçou que pretende ajudar a eleger Renan Filho como seu sucessor.

No mesmo palco, estavam o presidente do PT, Ronaldo Medeiros, e os deputados federais Paulão (PT), Isnaldo Bulhões (MDB), Daniel Barbosa (PP) e Luciano Amaral (PSD), além da senadora Eudócia Caldas (PL), mãe de JHC que apesar de não ter falado foi amplamente mencionada nos discursos.

Participaram da cerimônia, os ministros Jader Filho (Cidades), Rui Costa (Casa Civil). Renan Filho (Transportes), Alexandre Padilha (saúde), Guilherme Boulos (Secretaria-Geral da Presidência da República) e a ministra Gleisi Hoffmann (Secretaria de Relações Institucionais). Além deles, também estava lá o presidente da Caixa Econômica Federal, Carlos Antônio Vieira.

Renan Filho, o alagoano presente na comitiva ministerial, fez um discurso reforçando a comparação entre Lula e “o governo anterior”. Destacou que durante a pandemia, em que era governador, sofreu com a negligência de Bolsonaro que negava vacinas e enviava remédios que não eram úteis contra a COVID. O filho de Renan Calheiros lembrou que nenhum dos hospitais construídos em Alagoas durante sua gestão contaram como apoio do Governo Federal, e agradeceu a Lula por retomar os investimentos na saúde do Estado desde que assumiu em 2023.

Além dele discursaram os ministros Boulos, Padilha e Jader Filho, que fechou o bloco destacando todo o histórico do programa habitacional criado por Lula em 2009, durante seu segundo mandato, e que, segundo ele, já entregou 9 milhões de moradias.

O ambiente estava lotado, recebendo milhares de pessoas que vieram em caravanas de vários lugares do estado. Em vários momentos Lula foi aclamado com palavras de ordem e jingles de campanhas anteriores.

Também houve, durante a fala de Boulos, quem criticou os que pedem anistia para os golpistas do 8 de janeiro, houve manifestações da plateia contra a pauta. “Sem anistia!”, gritou por alguns instantes o público.

A solenidade foi encerrada com discurso do presidente Lula, que fez relatos emocionados de sua própria história destacando a importância de garantir moradia para a população. Sem tocar no assunto das eleições locais, ele se apegou ao perfil institucional e apenas destacou os gestores. “Meu prefeito e meu governador”, disse ele enfaticamente.

Lula falou sobre o papel dos governantes em relação à população. “A palavra correta seria cuidador. Sou eleito não para governar, mas para cuidar do povo que mais precisa desse país”. E disse que esse é o ano da verdade, pedindo que o povo compare os resultados entre ele e Bolsonaro para decidir.

“Esse país era como se fosse uma casa alugada para quem não prestava. A única coisa que ele [Jair Bolsonaro] sabia fazer era mentir pelas redes digitais”. O presidente também falou sobre o combate à violência contra a mulher, pauta que tem abraçado nos últimos meses como prioritária, com o crescimento dos casos de feminicídio.

Simbolicamente, o presidente entregou em mãos a chave da casa de cinco famílias contempladas entre as 1.337, e conversou um pouco com cada uma delas.